sexta-feira, 22 de abril de 2011

UM ESTADO DE ESPÍTITO

UM ESTADO DE ESPÍRITO

“Em todas as gerações, cada pessoa deve sentir-se como se ela própria tivesse saído do Egito”.

Esta frase que lemos na mesa do Seder, nas noites de 23 a 24 de abril, afirma que devemos considerar Pessach como uma época de libertação pessoal, que cada judeu deve ver nesta comemoração a ocasião de sua própria redenção.

Mais ainda, Pessach não é um acontecimento que ocorreu no passado, séculos atrás, mas sim uma força redentora em nossos dias. A implicação é que o Êxodo do Egito é uma experiência vivida por todos nós e faz parte da história existencial, individual, de cada judeu.

Meus amigos: o Egito não é apenas um ponto no mapa, um país; é um estado de espírito. O Êxodo não é apenas um evento histórico, mas uma possibilidade sempre atual. O Egito dos tempos bíblicos representa todas as forças que escravizam o homem. E toda vez que o homem consegue se libertar destas forças, ele vivencia um novo Êxodo.

Um rabino observou que a palavra hebraica Mitzraiym (Egito) vem da mesma raiz que Metzonm , literalmente “lugares estreitos”. A essência do Egito é a estreiteza da vida. Tudo que restringe e limita nossa visão constitui um “Egito”. Pessach é a hora de nos libertarmos deste Mitzrayim. Nesta época do ano, quando celebramos nossa liberdade, cada um de nós deve se perguntar: “Qual é o meu Egito particular? O que é que constringe e obstrui minha própria vida?” São muitos os Egitos que nos oprimem: ambição excessiva, inveja, materialismo, o apego ao status quo , para citar apenas alguns. Mais difícil que retirar o judeu do Egito é retirar este Egito de dentro do judeu.

Que Pessach traga para cada um de nós o êxodo de seu Egito interior. E que possamos alargar e engrandecer nossa vida em serviço à nossa família, à nossa comunidade, ao nosso povo e à nossa fé.

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Jesus Cristo era judeu. Os judeus, mesmo em épocas diferentes, comemoram a Páscoa como um momento de Redenção

Pessach (do hebraico פסח, ou seja, passagem), também conhecida como Páscoa judaica, é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a festa dos pães ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Shemot (Êxodo).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FERNANDO PESSOA

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."
Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de abril de 2011

O HOMEM LÚCIDO

O homem lúcido
O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal. O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo. Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão. Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas. A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria. Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.
Um amigo adora este texto uma homenagem a ele