quinta-feira, 24 de julho de 2008

DEUS É PAI

Quando o sol ainda não havia cessado o brilho, Quando a tarde engolia aos poucos as cores do dia e despejava sobre a terra os primeiros retalhos de sombra eu vi que Deus veio assentar-se perto do fogão de lenha da minha casa Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça e buscou um copo de água no pote de barro que ficava num lugar de sombra constante. Ele tinha feições de homem feliz , realizado. Parecia imerso na alegria que é própria de quem cumpriu a sina do dia e que agora recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe. Eu olhava e pensava: como é bom ter Deus dentro de casa! como é bom viver essa hora da vida em que tenho direito de ter um Deus só pra mim Cair nos seu braços, bagunçar-lhe os cabelos. puxar a caneta do seu bolso e pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço Mas aquele homem não era Deus Aquele homem era meu pai e foi assim que descobri que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus revelava-me Deus com seu jeito infinito de ser homem. Fábio de Melo